Recentemente, o esporte foi tomado de assalto por uma onda de pessoas em busca de fortes emoções e overdose de adrenalina. Embora já existam há um bom tempo, os "esportes de aventura", como foram classificadas essas modalidades, não param de crescer, atraindo pessoas de todas as idades que procuram sair da rotina. O sucesso encontrado nos últimos anos fez com que se criasse um vasto comércio em torno dessas práticas. Cursos, viagens especializadas, equipamentos e locais de treino tornaram-se figurinhas fáceis nos investimentos de atletas e curiosos.
No entanto, as seguidas mortes, como a do dentista brasileiro Eduardo Silva, em janeiro, quando tentava chegar ao pico do Aconcágua, têm colocado as práticas mais radicais na berlinda. Cada vez mais cresce o número de pessoas que questionam estas práticas. Da mesma forma, cresce de maneira espantosa a prática de atividades como montanhismo, traking, rafting. Mas por quê? A primeira explicação que surge é a da busca das pessoas pelo risco, para encontrar algo que fuja do seu dia-a-dia.
"Dentro desta experiência nos esportes de aventura há o objetivo de um retorno à natureza. É como se o praticante buscasse algo como uma compensação em relação ao mundo artificial em que vive", explica o especialista em Sociologia do Esporte, Valter Bracht, professor do curso de Educação Física da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). "Então, ao invés de procurar a sensação de vertigem em um parque de diversões, em uma montanha russa, ele busca esse sentimento, nestas práticas, em contato com a natureza."
É preciso diferenciar, no entanto, a classificação formal dos esportes de aventura daqueles mais radicais. Praticar Mountain Bike em trilhas fechadas envolve um determinado risco, previsto pelos organizadores da prática ou da competição. Risco esse que, dificilmente, envolve a morte. Escalar uma montanha, sem guias, no entanto, envolve riscos difíceis de se prever e lidar - avalanches, baixas temperaturas. No primeiro caso, furar um pneu pode até significar fraturas e ferimentos profundos. No Alpinismo, uma falha de equipamento provavelmente tirará a vida do praticante.
"É preciso separar as duas coisas. Ambas as práticas tendem a buscar emoção, ação, adrenalina. Mas o ´radical` é a busca do limite extremo. Ele é praticado, muitas vezes, de forma individual, e poucas pessoas praticam e sabem fazer determinadas manobras", acrescenta o coordenador da especialização em Esportes de Aventura da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Paulo Porto. A grande diferença, como apontado, está na segurança garantida pela prática.
Naturalmente, os riscos não deixam de existir, afinal esse é o "produto" principal de uma prática que promete aumentar a adrenalina. "Se houver segurança absoluta, com risco efetivo zero, a fórmula não é vendável. Então, é preciso haver algum perigo para tornar o produto convincente", detalha Bracht. Sendo assim, o que os esportes de aventura (não os radicais, é bom lembrar) criam é uma simulação de risco. "A maior parte dos esportes de aventura, não envolve riscos. Há um simulacro de perigo. O que se busca, nesse caso, é algo controlado, em que se pode ter certeza que é seguro", acrescenta.
"Mas isso não é esporte!"
Um dos grandes debates que tem se formado quanto à essas práticas é se elas podem ser classificadas como esporte. Em geral, os esportes de aventura - quando dissociados de práticas limítrofes que podem levar à morte - são bem vistos pela sociedade e pelos treinadores. Para muitos é, inclusive, uma prática saudável, e que envolve o contato com a natureza. Já os mais radicais... "No momento em que é praticado para destacar apenas a performance individual, deixa de ser um esporte. É apenas um desafio para vencer obstáculos, dificuldades extremas", rechaça Porto.
Bracht vai um pouco além na discussão. "Nenhuma dessas práticas se encaixam na definição clássica de esporte, de que o ele é uma prática corporal que objetiva identificar um vencedor a partir de uma performance física", esclarece. Segundo ele, no entanto, essa definição tem sido alargada com o passar dos anos. "O que acontece na cultura ocidental contemporânea é uma expansão do sentido do termo. A esportividade ultrapassou muito a esfera do esporte no sentido restrito. Ou seja, você é ´esportivo` se caminha nas ruas pela manhã para manter a forma. Nesse sentido, pode se considerar, sim."
E como eu começo?
Se você gosta de praticar esportes e quer aliar a emoção aos seus momentos de dedicação à atividade física, vá em frente. Mas lembre-se: atletas praticam esportes (radicais ou não) cientes do risco que correm. Um piloto de Fórmula Um entra em um carro plenamente consciente que uma batida a 300 km/h pode ser fatal. Portanto, se você quer que os riscos sejam calculados, procure algo que lhe dê prazer ao mesmo tempo em que garanta segurança. Para isso, a melhor saída é procurar profissionais credenciado e com certificado de bons serviços prestados.
"Recomendo que o praticante procure uma empresa credenciada, com profissionais que tenham, no mínimo, cursos básicos de cada modalidade. O errado é que pessoas que não têm conhecimento técnico qualificado ofereçam essas práticas e coloquem os praticantes em risco de praticar uma modalidade que é segura", afirma Porto. Então, agora é sua vez. Se você está com vontade de praticar algo que lhe dê emoção, conheça os riscos, assegure-se quanto à qualidade dos equipamentos e vá em frente! Altere o tamanho
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